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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Oração Fervente. (Hebreus 13:20,21)

Esta oração é um notável epítome de toda a epístola - uma epístola que todo ministro do Evangelho deveria devotar atenção especial. Não há nada que nossa época necessite mais do que sermões expositivos sobre as epístolas aos Romanos e aos Hebreus: a primeira supre o melhor material para repelir o legalismo, o antinomismo e o arminianismo, escolas que estão em voga agora; a segunda refuta os erros cardinais de Roma e expõe as pretensões sacerdotais de seus ministros. Hebreus provê o antídoto divino para o pomposo espírito de ritualismo que atualmente invade de maneira fatal inúmeros setores do protestantismo decadente. O tema central desde bendito e importante tratado é o sacerdócio de Cristo, o qual incorpora a substância do que foi pré-figurado tanto por Melquisedeque como por Aarão. No livro de Hebreus é demonstrado que Seu sacrifício perfeito, oferecido de uma vez por todas, destronou as instituições levíticas e acabou com todo o sistema judaico. Aquela oblação todo suficiente do Senhor Jesus fez expiação completa pelos pecados de Seu povo, satisfazendo todos os requerimentos legais que a lei de Deus tinha sobre eles, fazendo desnecessário qualquer esforço da parte deles para aplacar a Deus. "Pois com uma só oferta aperfeiçoou para sempre os que são santificados" (Hebreus 10:14). Em outras palavras, Cristo, de forma infalível e irrevogável, separou os crentes para o serviço de Deus, e isto pela excelência de Sua obra consumada.

A Ressurreição Declara a Aceitação de Deus da Obra de Cristo
A aceitação de Deus do sacrifício expiatório de Cristo foi demonstrada por ter Ele levantado Cristo dos mortos e sentado-O à destra da Majestade nas alturas. O que caracterizava o judaísmo era o pecado, a morte e o distanciamento de Deus - o derramamento perpétuo de sangue dos animais e pessoas excluídas da presença Divina. Porém, o que caracteriza o cristianismo é um Salvador ressuscitado e entronizado, o qual removeu os pecado de Seu povo de diante da face de Deus, e lhes assegurou o direito de acesso a Ele. "Tendo pois, irmãos, ousadia [liberdade] para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé", (Hebreus 10:19-22a, colchetes meus). Desta maneira, somos encorajados a nos aproximarmos de Deus com plena confiança nos méritos infinitos do sangue e da justiça de Cristo, dependendo unicamente deles. Em sua oração, o apóstolo solicita que tudo o que ele expôs diante deles na parte doutrinal da epístola possa ser eficazmente aplicado em seus corações. Numa breve mas compreensiva sentença, Paulo ora para que possa haver crescimento nas vidas dos hebreus redimidos, em toda graça e virtude, para o qual ele os exortou nos capítulos anteriores. Consideraremos o objetivo, o fundamento, a petição e a doxologia desta bendita invocação.


Os Títulos Divinos Invocados Discriminadamente
A oração é dirigida ao "Deus de paz". Como sugeri em alguns dos capítulos de meu livro chamado "Gleanings from Paul", os vários títulos pelos quais os apóstolos se dirigiam à Divindade não eram usados a esmo, mas eram escolhidos com discernimento espiritual. Eles não eram tão pobres em palavras para suplicar a Deus usando sempre o mesmo nome, nem eram descuidados a ponto de se dirigirem a Ele usando o primeiro nome que viesse à mente. Pelo contrário, ao se aproximarem dEle, eles escolhiam cuidadosamente aquele atributo da natureza divina ou aquela relação particular de Deus com o Seu povo, que fosse mais apropriado para a bênção específica que buscavam. O mesmo princípio de discernimento aparece nas orações do Antigo Testamento. Quando os santos homens do passado buscavam força, eles olhavam para o Poderoso. Quando eles desejavam perdão, apelavam à "multidão de suas ternas misericórdias". Quando clamavam por libertação das mãos dos seus inimigos, eles apelavam à fidelidade do Seu pacto.

O Deus de Paz
Eu discorri acerca do título "o Deus de paz" no capítulo 4 de " Gleanings from Paul" (páginas 41-46), mas agora desejo explicá-lo um pouco mais com algumas linhas de pensamento.
Em primeiro lugar, é um título distintivamente paulino, visto que nenhum outro escritor do Novo Testamento usa tal expressão. Seu uso aqui é um das muitas provas de que Paulo foi o autor desta epístola. A expressão aparece seis vezes em seus escritos: Romanos 15:33 e 16:20; 2 Coríntios 13:11; Filipenses 4:9; 1 Tessalonicenses 5:23; e aqui em Hebreus 13:20; "o Senhor de paz" aparece somente em 2 Tessalonicenses 3:16. Portanto, é evidente que Paulo se deleitava de maneira especial ao contemplar a Deus neste caráter particular. E com razão, porque é um título extremamente bendito e abrangente; e, por esse motivo também, fiz o meu melhor, conforme a medida de luz me concedida, para expor o seu significado. Um pouco mais adiante vou sugerir o porque Paulo, e não outros dos apóstolos, cunhou esta expressão.
Em segundo lugar, é um título forense, que vê a Deus em Seu caráter oficial de Juiz. Ele nos diz que Ele está agora reconciliado com os crentes. Significa que a inimizade e o conflito que anteriormente existiam entre Deus e os pecadores eleitos chegou ao fim. A hostilidade anterior tinha sido produzida pela apostasia do homem de Seu Criador e Senhor. A entrada do pecado neste mundo rompeu a harmonia entre céu e terra, anulou a comunhão entre Deus e homem, e semeou discórdia e conflito. O pecado despertou o justo desagrado de Deus e motivou Sua ação judicial. Isto produziu uma alienação mútua; porque um Deus santo não pode estar em paz com o pecado, estando "irado com o ímpio todos os dias" (Salmos 7:11). Mas a divina sabedoria preparou um caminho mediante o qual os rebeldes poderiam ser restaurados ao favor de Deus se a menor diminuição de Sua honra. Através da obediência e dos sofrimentos de Cristo, uma reparação completa foi feita à Lei, e a paz foi restabelecida entre Deus e os pecadores. Pelas operações graciosas do Espírito de Deus, a inimizade que estava nos corações do Seu povo é sobrepujada, e eles são trazidos à uma sujeição leal a Ele. Através disso a discórdia foi removida e a amizade estabelecida.
Em terceiro lugar, é um título restritivo. Deus é "o Deus de paz" somente para aqueles que estão unidos salvificamente a Cristo, pois nenhuma condenação há agora para aqueles que estão nEle (Romanos 8:1). Porém o caso é totalmente diferente com aqueles que recusam inclinarem-se diante do cetro do Senhor Jesus e buscar proteção debaixo de Seu sangue expiatório. "Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (João 3:36). Notemos que não se trata de que o pecador vai cair debaixo da ira de Deus que a Lei Divina menciona, mas que ele já está debaixo dela: "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens" (Romanos 1:18, itálico meu). Além do mais, em virtude de sua relação federal com Adão, todos seus descendentes são "por natureza filhos da ira" (Efésios 2:3), entrando neste mundo como objeto do desagrado judicial de Deus. Longe de ser "o Deus de paz" para aqueles que não estão em Cristo, "O SENHOR é varão de guerra" (Êxodo 15:3). "Ele é temido pelos reis da terra" (Salmos 76:12).

"O Deus de Paz", um Título Evangélico

Em quarto lugar, este título, "o Deus de paz", é, portanto, evangélico. As boas novas que Seus servos são comissionados a pregar para toda criatura são designadas como "o evangelho da paz" (Romanos 10:15). É muito apropriado assim nomeá-lo, porque ele apresenta a gloriosa Pessoa do Príncipe da paz e Sua obra todo suficiente pela qual Ele "fez a paz através do sangue da Sua cruz" (Colossenses 1:20). A tarefa do evangelista é explicar como Cristo adquiriu isto, a saber, entrando no terrível abismo que o pecado tinha feito entre Deus e os homens, e por ter transferidos para Si mesmo todas as iniqüidades de todos os que creriam nEle, sofrendo a completa penalidade devida por aqueles pecados. Quando Aquele que estava livre de todo pecado foi feito pecado por Seu povo, Ele se encontrou sob a maldição da Lei e da ira de Deus. É de acordo com Seu próprio propósito eterno de graça (Apocalipse 13:8), que Deus o Pai declara: "Ó espada, ergue-te contra o meu pastor, e contra o varão que é o meu companheiro" (Zacarias 13:7). A justiça tendo sido satisfeita, Deus é agora pacificado; e todos os que são justificados pela fé têm "paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5:1).
Em quinto lugar, ele é, portanto, um título pactual, pois toda a transação entre Deus e Cristo foi de acordo com a estipulação eterna. "E haverá entre os dois o conselho de paz" (Zacarias 6:13). Tinha sido eternamente concordado que o bom Pastor deveria fazer completa satisfação pelos pecados de Seu rebanho, reconciliando a Deus com eles, e a eles com Deus. Esse pacto entre Deus e o Fiador de Seus eleitos é expressamente denominado um "pacto de paz", e a inviolabilidade do mesmo aparece nesta bendita declaração: "Pois as montanhas se retirarão, e os outeiros serão removidos; porém a minha benignidade não se apartará de ti, nem será removido ao pacto da minha paz, diz o Senhor, que se compadece de ti" (Isaías 54:10). O derramamento do sangue de Cristo foi o selo ou ratificação desse pacto, tal como de deduz de Hebreus 13:20. Em conseqüência disso, a face do Juiz Supremo é coberta de sorrisos de benignidade ao contemplar o Seu povo em Seu Ungido.
Em sexto lugar, este título "o Deus de paz" é também um título dispensacional, e como tal, tem um significado especial para quem o usava com freqüência. Embora judeu por nascimento, e hebreu de hebreus por treinamento, Paulo foi chamado por Deus para "pregar entre os gentios as insondáveis riquezas de Cristo" (Efésios 3:8). Este fato pode indicar a razão porque este nome, "o Deus de paz", é peculiar a Paulo; porque, embora os outros apóstolos tenham ministrado e escrito principalmente aos da circuncisão, Paulo foi preeminentemente o apóstolo da incircuncisão. Portanto ele, mais do que nenhum outro, renderia adoração a Deus pelo fato de que essa paz fosse pregada tanto aos que estavam longe como aos que estavam perto (Efésios 2:13-17). Uma revelação especial foi lhe dada com respeito a Cristo: "Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos [crentes judeus e gentios] fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio [a lei cerimonial, que sob o judaísmo, os dividia]...para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz [entre eles], e pela cruz reconciliar ambos com Deus..." (Efésios 2:14-16, colchetes meus). Assim, em virtude de ter recebido esta revelação especial, o apóstolo aos gentios era particularmente idôneo para se dirigir a Deus por este título, quando fazendo súplicas pelos hebreus, assim como foi quando o empregou na oração aos gentios.
Por último, este é um título relativo. Com isto quero dizer que está estritamente relacionado com a experiência cristã. Os santos não são somente os sujeitos dessa paz judicial que Cristo fez com Deus em favor deles, mas eles também são os participantes da graça divina experimentalmente. A medida da paz de Deus que eles desfrutam é determinada pela extensão em que eles são obedientes a Deus, porque a piedade e a paz são inseparáveis. A íntima conexão que existe entre a paz de Deus e a santificação dos crentes é demonstrada tanto em 1 Tessalonicenses 5:23, como aqui em Hebreus 13:20,21. Pois em cada passagem se pede a promoção da santidade prática, e em cada uma o "Deus de paz" é invocado. Quando a santidade reinava sobre o universo inteiro, a paz prevalecia também. Não houve guerra no céu até que um dos anjos principais se tornou um diabo, e fomentou uma rebelião contra o Deus três vezes santo. Assim como o pecado traz conflito e miséria, assim a santidade produz paz de consciência. A santidade é agradável a Deus, e quando Ele está satisfeito tudo é paz. Quando mais esta oração for ponderada, tanto em detalhe como de forma global, mais se notará quão apropriado é este título a Deus.

Nosso Fundamento: A Ressurreição de Cristo por Deus

"Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas" (Hebreus 13:20). Considero esta referência à libertação de Cristo da tumba, como o fundamento sobre o qual o apóstolo baseia a petição que segue. Visto que considero este um dos versos mais importantes do Novo Testamento, darei minha melhor atenção a cada palavra nele, quanto mais que a maior parte de seu maravilhoso conteúdo quase não é compreendido hoje. Devemos observar, em primeiro lugar, o caráter no qual o Salvador é visto aqui; em segundo lugar, o ato de Deus levantá-Lo dos mortos; em terceiro lugar, a conexão entre essa obra e seu ofício como "o Deus de paz"; em quarto lugar, como é que a causa meritória do mesmo foi "o sangue do pacto eterno"; e em quinto lugar, a poderosa motivação que os méritos da obra de Cristo produzem, a saber, encorajamento para os santos se aproximarem ousadamente ao trono da graça onde podem obter misericórdia e achar graça para socorro no tempo da necessidade. Que o Espírito Santo Se digne em ser nosso Guia ao ponderarmos, em oração, esta porção da Verdade.

O Grande Pastor das Ovelhas
Este título de Cristo foi muito pertinente e apropriado na epístola aos judeus convertidos, pois o Antigo Testamento havia lhes ensinado a buscar o Messias nesta função específica. Moisés e Davi, tipos eminentes dEle, foram pastores. Com respeito ao primeiro é dito: "Guiaste o teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moisés e de Aarão" (Salmos 77:20). Usando o nome do segundo, Deus prometeu o Messias a Israel: "E suscitarei sobre elas um só pastor para as apascentar, o meu servo [o antítipo] Davi. Ele as apascentará, e lhes servirá de pastor" (Ezequias 34:23, colchetes meus). É óbvio que Paulo se referia aqui a esta profecia particular, pois mais abaixo é dito: "Farei com elas um pacto de paz" (Ezequiel 34:25). Aqui em Hebreus 13:20, as mesmas três coisas são trazidas juntas: o Deus de paz, o grande Pastor e o pacto eterno; e de uma maneira (em perfeita harmonia com o tema da epístola) que refuta o conceito errôneo que os judeus formaram de seu Messias. Eles imaginavam que Ele asseguraria uma libertação exterior como a que Moisés conseguiu e que traria um próspero estado nacional, como o estabelecido por Davi. Não imaginavam que o Cristo derramaria Seu precioso sangue e que seria levado à sepultura, embora eles deveriam ter sabido e entendido à luz da revelação profética.
Quando Cristo apareceu no meio deles, Ele definitivamente Se apresentou aos judeus neste caráter. Ele não somente declarou: "Eu sou o bom pastor", mas adicionou isto: "o bom pastor dá a vida pelas Suas ovelhas" (João 10:11). João o Batista, o precursor de Cristo, anunciou Sua manifestação pública desta maneira: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29). Neste duplo caráter, ou sob esta dupla revelação, o Senhor Jesus tinha sido profetizado em Isaías 53 (com Ezequiel 34 como pano de fundo): "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele [isto é, o Pastor, de quem as ovelhas são] a iniqüidade de todos nós" (Isaías 53:6, colchetes meus; cf. Zacarias 13:7). Note a maravilhosa concordância que se dá entre o seguinte versículo da profecia de Isaías (53:7) e a oração que estamos estudando. Isaías profetizou: "Como um cordeiro que é trazido ao matadouro, e como a ovelha que é muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a boca" (itálico meu). Note como o mesmo Espírito que inspirou Isaías, impulsionou Paulo a dizer em Hebreus 13:0 que Deus - não "ressuscitou", mas - "tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas" (itálico meu). O fato de que Deus trouxe de volta da morte este grande Pastor, significa que previamente o Pai O havia levado à morte como um Substituto, como Cordeiro propiciatório, pelos pecados de Sua ovelha. Quão minuciosamente adequada é a linguagem da Sagrada Escritura e quão perfeita é a harmonia - harmonia verbal - do Antigo e Novo Testamento!

Pedro, em sua primeira Epístola, sob a orientação do Espírito, utilizou a mesma profecia maravilhosa com respeito ao Senhor Jesus. Depois de se referir a Ele como o "cordeiro sem defeito e sem mancha", por quem fomos redimidos (1 Pedro 1:18,19), ele passa a citar algumas das expressões preditivas de Isaías 53: como a que fala de nós "como ovelhas desgarradas"; que se refere à virtude salvadora da paixão expiatória de Cristo - "por suas feridas fostes sarados"; e do ensino geral da profecia, que fala que ao levar nossos pecados em Seu próprio corpo sobre o madeiro, Cristo estava cumprindo transações celestiais com o justo Juiz como "o Pastor e Bispo de vossas [nossas] almas" (1 Pedro 2:24,25, colchetes meus). Assim, ele foi guiado a fazer uma exposição de Isaías, retratando ao Salvador como Cordeiro na morte e como Pastor na ressurreição. A inescusabilidade da ignorância dos judeus de Cristo neste ofício particular é evidenciada quando se considerar que foi através de outro de seus profetas que foi anunciado que Deus diria: "Ó espada, ergue-te contra o meu pastor, e contra o homem que é o meu companheiro, diz o SENHOR dos Exércitos: fere o Pastor..." (Zacarias 13:7). Ali Deus é visto em Seu caráter judicial, como estando irado com o Pastor por causa de nós: visto que Ele carregou os nossos pecados, a justiça tinha que ser satisfeita nEle. Assim, "o castigo de nossa paz" foi imposto sobre Ele, e o bom Pastor deu Sua vida pelas ovelhas como uma satisfação pelas justas reivindicações de Deus.

O Grande Pastor
Do que foi dito acima, podemos perceber melhor porque o Apóstolo Paulo O designou como "o grande pastor": não somente foi anunciado por Abel, pelos pastores patriarcais; tipificado por Deus, mas também retratado como o Pastor de Jeová nas predições Messiânicas. Devemos notar que este título mostra as Suas duas naturezas, a divina e a humana, pois diz: "meu Pastor...o homem que é o meu companheiro, diz o SENHOR" (Zacarias 13:7). Como o profundo Goodwin assinalou há alguns séculos, este título também implica todos os ofícios de Cristo: Seu ofício profético - "Como pastor ele apascentará o seu rebanho" (Isaías 40:11; cf. Salmos 23:1,2); Seu ofício sacerdotal - "o bom pastor dá sua vida pelas ovelhas" (João 10:11); Seu ofício real - porque a mesma passagem que O anuncia como Pastor sobre o povo de Deus também O denomina um "príncipe" (Ezequiel 34:23,24). O próprio Cristo aponta a conexão entre Seu ofício real e a descrição que dEle se faz como Pastor: "Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos bodes" (Mateus 25:31,32). Ele certamente é o "grande Pastor", todo suficiente para o Seu rebanho.

Um Pastor Deve Ter Ovelha
"Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do pacto eterno tornou a trazer dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, grande pastor das ovelhas". Veja a relação entre Redentor e redimidos. Pastor e ovelhas são termos correlativos: ninguém pode ser chamado pastor se não tem ovelhas. A idéia de Cristo como Pastor necessariamente implica a existência de um rebanho escolhido. Cristo é o Pastor de ovelhas, não de lobos (Lucas 10:3), nem sequer de bodes (Mateus 25:32,33), porque Ele não recebeu nenhuma ordem de Deus para salvá-Los. Como a verdade básica da redenção particular nos é confrontada em inúmeras passagens através das Escrituras! "Cristo não entregou Sua vida por todo o rebanho da humanidade, mas pelo aprisco dos eleitos que o Pai Lhe deu, como Ele declarou em João 10:14-16,26" (John Owen).
Observe, também, como este título nos sugere Seu ofício Mediatório: como o Pastor Ele não é o Senhor final do aprisco, mas o Servo do Pai, que Se responsabiliza por ele e cuida dele: "eram teus, e Tu mos deste" (João 17:6). A relação de Cristo conosco é vista mais adiante na frase "nosso [não o] Senhor Jesus" (Hebreus 13:20). Ele é, portanto, nosso Pastor: nosso em Seu ofício pastoral, que Ele ainda está desempenhando; nosso, como aquele que foi trazido dentre os mortos, porque nós ressuscitamos nEle (Colossenses 3:1).
A Superioridade de Cristo, o Grande Pastor
As palavras "o grande pastor das ovelhas" enfatizam a superioridade imensurável de Cristo sobre todos os pastores ministeriais de Israel, que eram só um tipo do que havia de vir, assim como as palavras "o grande sumo sacerdote" (Hebreus 4:4) destacam Sua eminência sobre Aarão e os sacerdotes levitas. De uma maneira semelhante, denota Sua autoridade sobre os pastores que Ele estabelece sobre Suas igrejas, porque Ele é "o Sumo Pastor" (1 Pedro 5:4) em relação a todos os pastores subordinados. Ele é o Pastor das almas; e uma delas vale mais do que todo o mundo, cujo valor Ele colocou sobre elas ao redimi-las com o Seu próprio sangue. Este adjetivo também assinala a excelência de Seu aprisco: Ele é o grande Pastor sobre um rebanho inteiro, indivisível, composto tanto de judeus como de gentios. Assim Ele declarou: "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco [judeu]; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor" (João 10:16, colchetes e itálicos meus). Este "um rebanho", um simples rebanho, compreende todos os santos, tanto do Antigo como do Novo Testamento (veja também como o apóstolo Paulo destaca esta unidade do povo de Deus utilizando a metáfora da oliveira em Romanos 11). A frase "o grande Pastor" também se refere às suas habilidades: Ele tem um conhecimento particular de toda e cada uma de Suas ovelhas (João 10:3); Ele tem a destreza de reuni-las, alimentá-las e curá-las (Ezequiel 34:11-16); e Ele tem o poder de preservá-las eficazmente. "E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão" (João 10:28). Então, quão grandemente devemos confiar nEle, amá-Lo, honrá-Lo, adorá-Lo e obedecê-Lo!

Arthur W. Pink 

Extraído do site: http://www.monergismo.com/ 

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