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sábado, 25 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Esforço é necessário - extraído do blog - http://esquinadecomunhao.blogspot.com

“...o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”. (Mateus 11:12)

1) Esforçar-se por ter sempre uma consciência pura diante de Deus e dos homens
O primeiro exemplo vem de Paulo. Ele diz assim:

“Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens”. (At 24:16)

O apóstolo Paulo está dizendo que ele se esforçava sempre para ter uma consciência pura diante de Deus, mas não só diante de Deus, também diante dos homens.

Podemos achar que isso é muito simples. Entretanto, não é tão simples cumprir isso. Requer violência em nós mesmos. Requer um esforço de nossa parte, não no braço da nossa carne como já mencionei, mas na força e no poder do Espírito de Deus em nós, como Paulo nos lembrou que é, “segundo a Sua eficácia que opera em mim”. E é interessante que a Palavra nos diz que Paulo se esforçava para ter essa consciência pura diante não só diante de Deus, mas diante dos homens. E vejam, não está falando diante dos irmãos, mas diante dos homens, diante de todas as pessoas.

Há muitos problemas de relacionamentos que experimentamos com as pessoas e assim não temos uma consciência pura diante delas. Quantas vezes nós as ofendemos e não tratamos aquela ofensa, e a nossa consciência fica manchada, a nossa relação com aquela pessoa rompe-se. Quantas vezes temos visto a comunhão entre os irmãos em Cristo ser rompida porque as suas consciências estão manchadas. Quantas vezes falamos alguma coisa que ofendeu a alguém, cristão ou não cristão, mas não temos uma consciência pura para com aquela pessoa nem nos esforçamos para isso, e o nosso testemunho para com aquela pessoa, se for incrédula, fica muito comprometido.

Eu me lembro de um fato muito interessante que me ocorreu: Muitos anos atrás, na cidade onde eu moro, os irmãos de várias denominações, realizaram um trabalho ao ar livre e convidaram alguns pastores e líderes das assembléias da cidade para cooperarem naquele evento e coube a mim orar para o início do mesmo. E assim fiz. Subi no carro de som (um daqueles caminhões enormes com um pesado equipamento de som) que estava perto da praia, e publicamente orei. Mas depois que terminou o evento encontrei ali com uma pessoa conhecida, um rapaz, e ele me disse: “Que bom que eu encontrei você aqui!” Eu respondi, “Que bom ver você aqui também!” E logo perguntei: “Você também é um cristão”? Ele respondeu: “Sou, sou um cristão”. E foi-se embora. Passou-se um tempo e um dia ele apareceu na minha sala de trabalho (ele trabalhava na mesma área que eu). Chegou todo sem jeito, e me disse: “Gostaria de falar uma coisa com você: naquele dia você me perguntou se eu era um cristão, e eu disse que sim, mas eu queria dizer pra você que eu não sou, eu não falei a verdade com você”. Ele veio arrependido, sem graça, emocionalmente tocado. Ele estava falando e as suas palavras eram um pouco trêmulas. Nunca esquecerei essa cena! Um incrédulo que não tem o Senhor se esforçou para ter uma consciência pura para comigo. Muito mais nós, que temos o Senhor, deveríamos nos esforçar.

A nossa consciência, às vezes, não é pura para com o nosso cônjuge, nossos filhos ou nossos irmãos em Cristo. Falhamos muitas vezes. Paulo está dizendo: “... eu me esforço”. Ele tinha uma atitude de cooperação com Deus. Podemos dar graças ao Senhor porque diz a Palavra que o sangue de Jesus limpa as nossas consciências. Diante de Deus basta nos arrependermos e confessarmos. O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado. Que coisa gloriosa! Estarmos limpos, com a consciência limpa e pura diante de Deus, mas também precisamos estar com ela pura diante dos homens. Isso é parte do reino dos céus e para nos apropriarmos deste reino requer violência a nós mesmos. Esse rapaz que citei não era cristão. E ele teve que negar a si mesmo. Foi difícil para ele, ele estava trêmulo quando falava comigo. Mas ele sentiu-se na obrigação de ser verdadeiro mesmo sem ter o Senhor!

Esforcemo-nos por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens!

2) Esforçar-se para ser agradável ao Senhor
Em 2 Coríntios 5: 9. Paulo mais uma vez vai nos dizer em que se esforçar: “É por isso que também nos esforçamos, quer presentes, quer ausentes, para lhe sermos agradáveis”.
Há aquele pensamento de que não precisamos fazer nada. Alguns vão dizer: “Não tente agradar a Deus, você não vai conseguir, não tente”. Sim, em sua carne jamais será possível! Mas no poder de Deus é possível. No Espírito de Deus, que fortalece o nosso homem interior, é possível. Baseado nesta força que vem de Deus é que Paulo está falando: “É por isso que me esforço para ser agradável ao Senhor”. A nossa prioridade tem que ser agradar ao Senhor.

Davi declarou ao Senhor: “Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas” (1 Cron 29:17). Da sinceridade! Oh, quantas falhas tem em nós, quantos fracassos, quantas coisas negativas. Entretanto, Deus se agrada da sinceridade. Deus se agrada do coração sincero. Podemos confessar ao Senhor: “Senhor, eu não estou bem. Eu estou com este problema, eu estou nessa situação horrível, o meu temperamento é terrível Senhor. Mas eu quero te agradar. Socorra-me”. O Senhor que se agrada da sinceridade do nosso coração, certamente virá em nosso socorro.

Podemos fracassar em muitos aspectos da nossa vida, mas devemos ser sinceros para com o Senhor, sem usar os “joguinhos de palavras”. Às vezes usamos estes joguinhos de palavras espirituais com os irmãos, damos a aparência de sermos tão espirituais. As pessoas podem até achar que somos espirituais, de que a aparência corresponde à nossa realidade. Mas com o Senhor isso não vale, Ele vê o coração! Devemos ir diante do Senhor e dizer “Senhor, eu não estou bem. Eu quero agradar a ti, me ajude. Senhor eu acabei de desagradar a ti, de ferir o teu Espírito Santo, entristeci o teu Espírito, mas Senhor eu não quero isto, eu quero agradar a ti”. O Senhor se agrada da sinceridade e se agirmos com sinceridade diante dEle, abriremos caminho para a benção de Deus em nossas vidas.

3) Esforçar-se para entrar no descanso do Senhor

Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência”. (Heb 4: 11)

“Esforcemo-nos, pois por entrar naquele descanso”.
Para mim esta é uma palavra extremamente paradoxal. Parece contraditória. Você precisa entrar no descanso e, no entanto, está dizendo para você se esforçar para entrar nele. Que coisa estranha a primeira vista. Mas é a Palavra do Senhor que está nos dizendo para todos nós, todos os filhos de Deus, sem exceção, “esforçarmo-nos para entrarmos no descanso que Deus tem preparado”.

Alguns estudiosos do grego nos dizem que esta palavra, “esforçar” significa “concentrar toda a nossa energia para atingir um alvo”. Todo o nosso esforço, não da carne, mas de acordo com o poder de Deus que opera eficientemente em nós. E que descanso é este? O escritor de Hebreus está falando que este descanso é “aquela boa terra”, e usa como ilustração a saída do povo de Deus do Egito, e a sua entrada na terra prometida. Sabemos que esta boa terra é figura de Cristo e das Suas riquezas insondáveis. E quando nós entramos nesta terra, encontramos descanso para as nossas almas. Queridos, isto não é só para a glória, é para agora, para o momento presente.

Quantas contendas dentro de nós mesmos! Não estou falando em contender com os irmãos, com as pessoas do mundo, com os filhos ou com o cônjuge, mas com você mesmo! Olhe para dentro de você: quantas contendas podem estar acontecendo aí. Há uma “guerra civil” dentro de você! Você quer fazer a vontade de Deus, mas algo dentro de você se opõe para não fazer. Há uma disputa interna! Entretanto, a palavra do Senhor nos diz para nos esforçarmos, concentrar todas as nossas energias para atingir aquele alvo, do descanso que é Cristo a nossa boa terra – a vida de Cristo em nós, de maneira prática.

Como isso é possível? No livro de Hebreus, capítulo 4, está dizendo que todo aquele povo, no Antigo Testamento, o povo de Deus, não pôde entrar. E por quê? Porque mesmo ouvindo a Palavra de Deus, essa Palavra não foi aproveitada porque não foi acompanhada com a fé. Não puderam entrar por causa da incredulidade!

Queridos, precisamos nos esforçar, colocar toda a nossa energia para atingir esse alvo de Deus para nós. Conhecemos bem a história do povo de Deus no Antigo Testamanto. Eu nasci num lar cristão e conheço essa história desde que era menino. Um povo numeroso que saiu do Egito para ir tomar posse de uma terra que o Senhor havia dado a ele. De seiscentos mil homens capazes de sair à guerra, apenas duas pessoas entraram!. E por que elas entraram? Se você buscar na Palavra, você vai encontrar a razão. Está dito que Josué e Calebe entraram porque eles perseveraram em seguir ao Senhor. Eles perseveraram! Esforçaram-se! Eles colocaram todas as suas energias para atingir aquele alvo de Deus que era a boa terra. Não se deixaram levar pelos outros dez espias que deram um mau relatório a respeito daquela terra. Pelo contrário, eles colocaram todas as suas energias e ainda, de acordo com a Palavra de Deus, tentaram animar os seus irmãos, embora sem sucesso. Mas, eles entraram porque perseveraram em seguir o Senhor! Aleluia!

Será que nós não vamos experimentar as riquezas de Cristo agora? Precisamos receber muitas vitórias! Vitórias sobre o pecado, sobre a carne, sobre o mundo e sobre Satanás. Tudo nos foi dado em Cristo e muitas vezes fico perplexo com o meu próprio viver. Tendo recebido tudo como herança de Deus me vejo vivendo uma forma miserável espiritualmente. Isso está errado! Precisamos perseverar, nos esforçar, para entrarmos naquela riqueza que é nossa em Cristo.

Como aconteceu com Josué? O Senhor disse para Josué que “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés” (Josué 1:3). As riquezas de Cristo são nossas, mas precisamos tomar posse delas! Paulo mesmo diz que ele prosseguia “para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Fil 3:12). Ele queria conquistar, ele queria possuir, ele queria segurar aquilo que ele recebeu em Cristo. Assim também nós devemos fazer! A melhor ilustração que me vem ao coração com relação a nos esforçarmos para entrar no descanso do Senhor, a lutarmos para isso, é aquela citação de Jacó, quando ele estava atravessando o váu de Jaboque. Ele começou a lutar com um homem, e lutou a noite inteira, quando percebeu algo muito importante a tempo: Ele percebeu que estava lutando não com uma pessoa comum, mas com Aquele que era o abençoador. E qual foi a palavra dele para o Senhor? “Não te deixarei ir se não me abençoares” (Gn 32:26). Que glória!

Quando não estamos bem, devemos ir ao Senhor e lutarmos com Deus, nos esforçarmos para entrar no Seu descanso. Mas espera lá, vamos com calma. Nós temos ouvido muito por ai, nas rádios e nas televisões em alguns programas, onde as pessoas estão ordenando as coisas para Deus e estão nos dizendo: “você tem que determinar que Deus faça tal coisa”. Não! De modo algum! Devemos lutar com Deus sim, mas o Espírito de Deus foi tão maravilhoso que nos deu uma indicação de como foi que Jacó lutou com Deus. O Espírito Santo registrou essa luta de Jacó no profeta Oséias. E em Oséias está escrito que ele lutou com Deus e prevaleceu. Mas como foi que ele prevaleceu? Dizem as Escrituras: “Chorou e rogou mercê” (Os 12:4). Essa foi a luta dele e deve ser a nossa luta também diante de Deus. Vamos lutar com o Senhor. Vamos perseverar para entrar no descanso de Deus, naquilo que Ele tem para nós. O Senhor tem coisas tão grandes que nós não experimentamos ainda. A Palavra de Deus nos diz das insondáveis riquezas de Deus em Cristo!


4) Esforçar-se para fazer o bem

“Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens”. (Rm 12:17)

“Esforçai-vos por fazer o bem”! Esse é o imperativo da Palavra de Deus.

Às vezes consideramos que essa é uma palavra muito simples, simples demais, pois é obvio que devemos fazer o bem. Paulo está dizendo para nos esforçarmos por fazer o bem diante de todos os homens, não só diante dos irmãos, diante daqueles que amamos. Mas diante de todos os homens. No livro de Gálatas também está escrito: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo” (o que vai acontecer?) “ceifaremos, se não desfalecermos” (Gal 6:9). Deve existir um esforço para não desfalecermos. Quantos de nós muitas vezes estão sem força, paramos na caminhada, paramos na carreira. O apóstolo Paulo insta com Timóteo para combata o bom combate da fé. Ele mesmo diz: “Combati o bom combate”, (e o que mais?) “completei a carreira, e guardei a fé” (2 Tim 4:7). E ele até diz que, como conseqüência disso estava reservada para ele a coroa. Ou seja, o reino tinha sido tomado por Paulo, ele se apoderou dele! Ele tinha a convicção pelo Espírito de Santo que Deus tinha reservado a coroa para ele. E por quê? Porque ele tinha feito violência a si mesmo. Veja o que ele descreve para os irmãos em Corinto. Veja como ele se esforçou para se apoderar do reino de Deus. Leia com atenção o que ele escreveu:

“Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas; por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros; como desconhecidos e, entretanto, bem conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo”. (2 Cor 6:4-9)

Fazei o bem! Às vezes podemos nos cansar. Por exemplo, até mesmo dentro da nossa casa. Conheço alguns pais que têm lutado com os filhos, ajudando-os sem medida. Entretanto os filhos parecem não se importar com aquilo que seus pais fazem. E então, depois de muito labor, esses pais tomam uma atitude de parar. Cansam-se. Eles dizem: “Ah, assim não dá! Cansei! Não dá mais!” Mas, precisamente num momento como esse é que é necessário lutar com Deus e pedir ao Espírito de Deus que fortaleça o seu homem interior para você continuar fazendo o bem.

A Palavra do Senhor para nós é: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gal 6:9). “Esforçai-vos”!

5) Esforçar-se para preservar a unidade do Espírito

Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4:3)

Este é outro exemplo, uma outra indicação de Deus em sua Palavra no que nós devemos nos esforçar: preservar a unidade do Espírito, a unidade que já nos foi dada em Cristo Jesus.

Devemos nos esforçar nesse assunto da unidade. Não há valor em falarmos que somos um com todos os irmãos apenas de palavras. Não! Mas como João, o apóstolo, diz, deve ser de fato, de verdade. Precisamos nos esforçar, e há muitas questões práticas envolvidas aqui que vão nos mostrar se estamos nos esforçando para guardar aquela unidade que já nos foi dada. Quanto a unidade da fé ainda vamos alcançá-la, mas a unidade do Espírito já nos foi outorgada (cf. Ef 4:3,13). Entretanto, há uma responsabilidade que nos foi dada: devemos nos esforçar para guardá-la. E ainda, não é de qualquer forma, mas diligentemente, como nos diz a Palavra.


Cremos que todos os filhos de Deus, todos aqueles que nasceram de novo formam o corpo de Cristo. Desejamos ser um com todos eles. E por quê Paulo diz que devemos preservar essa unidade do Espírito? Ele vai dar a razão logo a seguir. Veja o que ele diz nos versículos seqüentes:

“Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. (Ef 4:4-6)

Não deve haver nada além dessas coisas como condição para estarmos unidos aos irmãos, para sermos um no corpo de Cristo. Infelizmente o que tem prevalecido durante a história da igreja e mesmo nos nossos dias, é divisões e mais divisões entre os filhos de Deus. Às vezes por qualquer motivo alguns deixam de congregar. E ainda se justificam dizendo: “Não, não me reúno mais não! Tal irmão falou algumas coisas e eu não concordo! Eu não tenho o mesmo entendimento que ele! Vou reunir em outro lugar!” Outro diz: “Ah aquele irmão! Não suporto o temperamento daquele irmão! Vou me congregar em outro lugar!” E por aí seguem. Mas meus irmãos, deve haver um esforço, você tem que ser violento, não com os irmãos, mas com você mesmo, tomar sua cruz e negar a si mesmo, seguir ao Senhor e preservar a unidade do Espírito. Esta é nossa responsabilidade.

Admira-me que coisas tão pequenas e sem sentido atrapalham e embaraçam o nosso coração. E a razão disso é porque não tomamos a nossa cruz. Não queremos fazer violência a nós mesmos para nos apropriarmos do reino dos céus. E por isso, quebramos, na vida prática, a unidade do Espírito. Irmãos, a Palavra do Senhor nos indica que deve existir um esforço da nossa parte para que a unidade do Espírito possa ser mantida.

“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor”. (Ef 4:1-2)

Que o Senhor nos ajude nisto.

6) Esforçar-se nas orações em favor dos santos

“Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus”. (Col 4:12)

Que exemplo maravilhoso para todos nós o que ficou registrado a respeito de Epafras. “O qual se esforça”! E não é de qualquer forma! – “Sobremaneira”! Isso não é suficiente, esta tradução colocou de uma maneira enfática: “Continuamente por vós”!

Precisamos nos esforçar na oração, e temos aqui Epafras como um exemplo de quem se esforçava. A palavra no original grego que foi traduzida aqui por “se esforça” tem um sentido muito mais forte. O seu sentido no original é “agonizar”. Ele se agonizava na oração em favor dos irmãos para que eles pudessem ser conservados perfeitos e plenamente convictos em toda vontade de Deus! Que Deus levante no nosso meio, nas nossas assembléias muitos Epafras para interceder pelo povo de Deus continuamente, para agonizar-se em favor dos filhos de Deus. Outro exemplo que temos é o próprio Paulo que, referindo-se a si mesmo, disse que sofria as dores de parto até ser Cristo formado nos irmãos (cf Gal 4:19). Epafras fez a mesma coisa. Ele agonizou em oração em favor dos irmãos.

Quando estamos na carne, nos nossos próprios interesses, não oramos por nossos irmãos! Mas se queremos nos apropriar do reino dos céus, precisamos nos esforçar, e aqui está um exemplo do que nós podemos nos esforçar. E geralmente é nessa questão da oração que muitos de nós fracassam.

Às vezes, reclamamos de alguns irmãos. Dizemos: “Esse irmão é muito problemático, não tem jeito!” Ou, “Aquela irmã é quem fez isso!” Ficamos torcendo até para que Deus a mande para outro lugar, para outra cidade. Nos sentimos até aliviados quando algum irmão ou irmã deixa de estar conosco seja por qual motivo for. O triste de tudo isso é que poucos estão dispostos a pagar o preço de se agonizarem diante de Deus em oração por aquela vida. Mas a Palavra de Deus nos chama hoje a nos esforçarmos na oração em favor dos nossos irmãos, em favor de nós mesmos, em favor de tantas coisas que é do interesse de Deus. Epafras se esforçava, se agoniza sobremaneira, continuamente em favor dos irmãos. Que Deus levante-nos como "Epafras" hoje!


7) Esforçar-se na pregação do evangelho
Há um último exemplo que gostaria ainda de mencionar. Novamente Paulo nos dá este exemplo:

Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio”. (Rm 15:20

“Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho”! Percebemos nas Cartas que Paulo escreveu e no livro de Atos como ele se afadigou para pregar o evangelho. Como ele se esforçou para proclamar o evangelho. Ele dizia: “porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1 Cor 9:16). Havia um senso de responsabilidade em pregar o evangelho. Ele se esforçou a tempo e fora de tempo. Onde o Senhor o levava, ele pregava, ele se esforçava.

Vejam a pessoa do Senhor Jesus. Nos exemplos do Senhor, vemos como Ele se esforçava para fazer coisas! Inclusive para pregar o evangelho! Ele mesmo disse certa feita a seus discípulos: “Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para isso é que eu vim” (Mc 1:38). Incansavelmente o Senhor pregava!

Eu tenho um desejo muito grande no meu coração de ver nas assembléias que eu conheço, principalmente onde eu moro, todos engajados na pregação do evangelho. Irmãos, às vezes julgamos que fomos chamados para nos reunirmos no nome do Senhor e que devemos nos preocupar apenas com a edificação da casa de Deus. Alguns de nós caem no engano de achar que muitas das assembléias tem somente número, mas muito pouca realidade. E usamos isso como desculpa para não avançarmos na pregação do evangelho. Quão enganoso é isso. Quando as pessoas são salvas, elas são acrescentadas ao corpo de Cristo e o crescimento é Deus quem vai dar. Ganhar almas é parte fundamental da edificação da casa de Deus! Cada pessoa que é ganha para o Senhor é uma pedra viva da casa de Deus!

Que o Senhor possa levantar nas assembléias dos cristãos um desejo ardente de ganhar almas. Que possamos nos esforçar em pregar o evangelho de Deus. Este é um mandamento do Senhor. Do Senhor ressurreto! Ele é quem disse isso de um modo muito claro, não há dúvidas, não há interpretação! Ele foi quem disse, “Ide”!

Isso é tão glorioso! Todos nós provavelmente temos a experiência de ao falar do Senhor, de ver as pessoas se convertendo, e naquele momento Deus encher os nossos corações de uma alegria maravilhosa! Enquanto estamos evangelizando, falando do amor de Deus para as pessoas, vem a alegria do Senhor em nossos corações fortalecendo-nos, animando-nos, encorajando-nos! Que glória! Entretanto, muitas vezes, não colocamos essa ordenança do Senhor, o “Ide”, no nosso viver prático. Paulo deixou um ótimo exemplo para nós. Ele se esforçava em pregar o evangelho.

Este é o desejo de Deus. O Senhor nos tem chamado para sermos Seus cooperadores.

Que possamos, pela misericórdia do Senhor, nos esforçar e naquele dia no tribunal de Cristo ouvir do nosso Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.”


NAquele, em quem podemos nos esforçar,

domingo, 15 de janeiro de 2012

A CRUZ E AS ERAS VINDOURAS ( G. Campbell Morgan )



“E que, havendo por Ele feito a paz pelo sangue da Sua cruz...
reconciliasse Consigo mesmo todas as coisas” (Cl 1:20).

“Paz pelo sangue da Sua cruz”. Os professores gnósticos sugeriam a necessidade da mediação de anjos. Eles declaravam a necessidade de práticas ascéticas, incitando humilhação voluntária e até a adoração de anjos. Paulo, reconhecendo a necessidade da reconciliação, não meramente entre nós e Deus, mas entre todas as partes do universo, nos céus assim como na terra, declara que isto está providenciado no “sangue da Sua cruz”.

Em conexão com isto é necessário esclarecer que quando falamos da cruz nos referimos não somente a uma forca romana e à morte de um homem. Se Aquele na cruz fosse apenas um homem então todo este escrito do apóstolo não seria apenas tolice,mas uma miragem e um pesadelo, uma ilusão e um ardil. Por outro lado se Aquele na Cruz for a Imagem do Deus invisível, o Criador e Sustentador original, o Primogênito saído da morte para a vida, então na presença da Sua Cruz começo a tremer e ainda a crer na declaração de que através daquela Cruz Ele reconcilia todas as coisas a Ele mesmo, na terra e nos céus.

Através desta Cruz há primeiro a reconciliação das coisas na terra.
O processo é  lento quando contamos o tempo. A labuta é uma agonia, o conflito é para a morte, mas a vitória é segura. Esta vitória é a reconciliação de todas as coisas na terra, primeiro do homem com Deus, e então de toda a criação com o homem nesta paz de Deus que emana do estabelecimento do Seu trono e da relação correta de todo o reino com isso.

Através desta Cruz há também a reconciliação de coisas nos céus. Trazemos à lembrança a figura dos anjos desejando examinar essas coisas. Quando eles assim fizeram, se tornaram consciente do mistério inescrutável na hora em que Jesus morreu. Era o mistério da morte do ser puro e sem pecado, e por isso imortal. Pessoalmente, não posso ter nenhuma dúvida sobre a exatidão literal da história bíblica que na hora daquela morte o sol se escureceu. Aminha admiração às vezes é que alguma vez brilhasse novamente. Os anjos viram no mistério uma revelação.

Eles conheciam a Pessoa que viram morrem, e reconheceram que a morte de Cristo devia ter um algum significado profundo nos propósitos de Deus. Através da morte do Senhor viram o homem reconciliado com Deus. Eles viram a salvação provida para o pecador na libertação do pecado. Eles viram que a cooperação resultante dos santos, quando, conformados com a Sua morte chegaram ao conhecimento vivo Dele, compartilharam o poder da Sua ressurreição e entraram na comunhão dos Seus sofrimentos. Eles viram estes santos conduzirem por toda a criação de Deus a renovação que tinha refeito as suas próprias vidas.

Que efeito teve aquela obra vinda da paixão e o poder do amor de Deus sobre os anjos que observavam? Era para eles uma nova revelação de Deus. Naquela Cruz eles O viram como nunca O tinham visto. A luz da Deidade brilhou mais alva, pois a santidade foi vindicada como nunca fora antes. O amor da Deidade brilhou mais vermelho, pois a compaixão foi manifestada mais perfeitamente. A vida da Deidade foi percebida mais plenamente, pois todos os seus valores foram revelados mais absolutamente. Posso imaginar que, quando o Senhor Jesus Cristo morreu e todas as questões da Sua morte lhes foram reveladas, os anjos tomaram emprestada a canção do Salmista e cantaram: “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram” (Sl 85:10).

Se não há pecado, a lei e o amor nunca estão fora de harmonia um com outro, a verdade e a graça vão sempre de mãos dadas, a justiça e a misericórdia cantam um hino comum. Se a lei for quebrada o que deve o amor fazer? Se a verdade for violada como a graça pode operar?Na presença do crime como a justiça e a misericórdia podem se encontrar? Este é o problema dos problemas. Não é um problema entre Deus e o homem.

Não é um problema entre Deus e os anjos. É um problema entre Deus e
Ele mesmo. É respondido na Cruz: “Deus estava em Cristo”, desde a eternidade e seguramente também na hora da Cruz. Assim, a despeito de todo o sofrimento conseqüente no conflito dentro da Sua própria natureza, Ele encontrou o caminho da reconciliação. Pelo sofrimento operado na história humana e em todas as eras, através da Cruz, Ele demonstrou que o amor encontra a lei quando ele sofre e a cumpre. A graça satisfaz a demanda da verdade resolvendo todas as questões da sua violação, e a misericórdia pode operar na base da justiça, não porque Deus esmagou e afligiu a outro, mas porque, em um mistério que confunde e contunde o intelecto quando tenta abrangê-lo, Deus reuniu tudo em Seu próprio coração e sofreu para reconciliar todas as coisas por Ele mesmo.

Assim, como Cristo é o Centro, a Fonte, e o Alvo do universo, a
Sua Cruz é o centro, a fonte, e o alvo da reconciliação. A carta aos Efésios é o complemento de Colossenses, nela o Apóstolo ensina que pela Igreja a sabedoria de Deus deve ser manifestada aos principados e potestades nos lugares celestiais. Cristo e o Seu povo redimido devem exercer um ministério além daquele de hoje por todas as eras por virem. Este ministério deve ser o de uma revelação da coisa mais profunda no coração de Deus, o amor que, operando através do auto-abandono e sacrifício, resgatou, redimiu e refez a humanidade perdida. Os anjos ouvirão a música do amor quando os redimidos cantam, “a muito antiga história de Jesus e Seu amor”. Eles são os filhos da manhã, as inteligências não caídas que nunca conheceram as misérias do pecado ou a sua poluição, mas devem silenciar os seus elevados hinos enquanto os redimidos cantam:

 “Ele nos amou, e se deu por nós”.

Assim para todo o universo e para as últimas eras sempre procedendo na beleza do ser de Deus, a Cruz permanecerá a revelação suprema de Deus, através da qual toda a criação chegará a uma compreensão da Sua santidade e do Seu amor, as coisas mais profundas e mais verdadeiras do Seu ser.

 Que tema! A imaginação é completamente incapaz de abranger toda a sua gloriosa verdade. Sonhamos com o nascimento das incessantes eras, das novas criações, jorrando como manhãs frescas da Sua sabedoria e da Sua força. E, quando em progressão infalível elas aparecem, Cristo e Sua redimida Igreja cantarão a eles a canção da redenção. Embora conheçam a força e a majestade de Deus na maravilha de suas deles, somente chegarão a uma verdadeira apreensão do Seu coração quando lhes dissermos que Ele nos amou e nos libertou dos nossos pecados pelo Seu sangue.

'Na Cruz de Cristo me glorio, elevando sobre as destruições do tempo, toda a luz da história sagrada se reúne em torno da sua sublime
fonte'.

Através daquela Cruz todas as coisas nos céus devem ser reconciliadas e a paz infinita deve seguir, e ouso confiar nisso apesar de todo o meu pecado e toda a minha fraqueza. A propósito daquela Cruz sou reconciliado a Deus e através dela encontro descanso infinito, eterno e imortal. Finalmente o meu descanso será o descanso com toda a criação, pois a ordem cósmica será restaurada pelo mistério do sofrimento de Deus conforme revelado na Cruz.

Do livro: The Bible and the Cross (A Bíblia e a Cruz).
Fonte : www.editorarestauracao.com.br e http://evangelhoprofetico.blogspot.com/2010/11/cruz-e-as-eras-vindouras-g-campbell.html

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Biografia de Westminster

O mestre de Westminster


Gales é um lugar único no mundo. Mesmo fazendo parte da Grã-Bretanha, os galeses se apressam em deixar claro que eles não são ingleses, e o enfatizam falando em seu próprio idioma em lugar de dizê-lo em inglês.
Gales tem uma grande e especial historia espiritual, pois experimentou grandes avivamentos, seguidos muitas vezes de profundas depressões espirituais.
A história registra alguns galeses notáveis, como Christmas Evans, Daniel Rowland, William Williams, Howell Harris, Evan Roberts… e David Martyn Lloyd-Jones, o nosso biografado.
Os primeiros passos
David Martyn Lloyd-Jones nasceu em 20 de dezembro de 1899, quando terminava o século XIX. Deus tinha um plano para este filho de Henry e Magdalene Lloyd-Jones, para trazer de novo as chamas do avivamento que Evans, Roberts e outros tinham experimentado antes. Alguns têm dito que Charles Spurgeon foi o último puritano, mas o tempo demonstraria que deveriam ter esperado ouvir o "Doutor" antes de fazer tal afirmação.
A vida do jovem Martyn foi bastante tranqüila até janeiro de 1910, quando tinha 11 anos. Até então o seu pai tinha sido um homem de negócios muito bem-sucedido em sua cidade natal de Llangeitho. Mas aquele ano ocorreu algo que mudaria muitas coisas.
Na escuridão da noite rompeu um fogo que quase custou as vidas de Martyn e dos seus irmãos, que dormiam no piso superior. Ainda que a família fosse salva, a maior parte dos bens familiares se perdeu. Henry nunca se recuperou totalmente do reverso financeiro. Quase por acidente, Martyn averiguou pouco depois quão desesperada se tornou verdadeiramente a sua situação.
Durante os seus primeiros anos de escola, ele levou esta carga em seu coração. Como resultado, tornou-se muito sério para a sua idade, e muito decidido em ter êxito em sua educação e em sua vida. "Foi como se ele se apartasse muito do que é comum à juventude, e isto lhe fez dizer uma vez: 'Eu nunca tive uma adolescência'", afirma Ian Murray. Ainda que fervoroso de coração, Lloyd-Jones sempre levaria com ele uma reputação de austeridade e severidade.
Lloyd-Jones foi criado no metodismo calvinista galês. O termo "metodismo calvinista" pode parecer contraditório, porque os metodistas são arminianos - que enfatizam o livre-arbítrio do homem - e os calvinistas dão ênfase à soberania de Deus em relação à salvação. De alguma forma, o metodismo calvinista de Gales procurou o melhor de ambas as posturas.
Entre 1914 e 1916, Lloyd-Jones foi para uma escola primária de Londres, e em seguida estudou medicina. Realizou a sua prática no influente Hospital de St. Bartholomew, e foi brilhantemente bem-sucedido. Foi aprovado em seus exames tão cedo que teve que esperar para graduar-se.
Em 1921 começou a trabalhar como assistente principal de Sir Thomas Horder, um dos melhores médicos dessa época.
Com a idade de 26 anos, Martyn obteve o seu diploma de membro do Colégio Médico e tinha uma carreira brilhante e lucrativa diante dele. No entanto, Deus tinha planos para que fosse médico de almas em lugar de corpos.

Conversão e chamada para o ministério
Pouco a pouco, através da leitura, a sua mente foi atraída pelo evangelho de Cristo. Não teve nenhuma crise dramática de conversão, mas chegou a um ponto em que se comprometeu completamente com o evangelho.
Depois disso, quando se sentava no consultório, escutando os sintomas dos seus pacientes, compreendeu que aquilo que muitos deles necessitavam não era a medicina ordinária, mas o evangelho que ele tinha descoberto para si mesmo. Ele poderia ocupar-se dos sintomas, mas a preocupação, a tensão, as obsessões, só poderiam ser tratadas pelo poder da conversão. Ele sentia cada vez mais que a melhor forma de usar a sua vida e talentos era pregando esse evangelho.
Martyn se envolveu rapidamente na igreja da Capela da Charing Cross. Entre outras coisas, ali conheceu a Bethan Philips. Bethan frequentava ali com seus pais e dois irmãos. O seu pai era um oftalmologista muito conhecido e Bethan estava a ponto de se formar como médico no University College Hospital.
Depois de vários anos de noivado, Martyn e Bethan se casaram, em 1927. Depois da sua lua de mel em Torquay, instalaram-se em seu primeiro lar, uma pequena casa paroquial da igreja de Sansfield, em Aberavon, Gales, decididos a servir naquilo a que se sentiam chamados.
O surpreendente movimento do jovem especialista e sua esposa não podiam deixar de atrair a atenção, e a imprensa veio até eles. A senhora Lloyd-Jones respondeu a um jornalista na porta de sua casa com a frase: 'Sem comentários' e no dia seguinte ficou horrorizada ao ler o titular: '"O meu marido é um homem maravilhoso", diz a senhora Lloyd-Jones'. Deste matrimônio nasceram duas filhas, Elizabeth e Ana.
Os médicos locais não estavam muito contentes com o recém-chegado. Pensavam que ele tinha vindo para mostrar a sua superioridade e lhes tomar os seus pacientes.
Contrário ao esperado, Martyn não pôde abandonar completamente a sua carreira médica. No sul de Gales, a sua brilhante habilidade de diagnóstico escasseava. Depois de uns anos durante os quais foi deliberadamente ignorado pelos médicos locais, foi chamado para um caso difícil. Ele soube exatamente a natureza da obscura enfermidade da que o paciente aparentemente se recuperaria, e em seguida morreria. O seu prognóstico se confirmou exatamente, e o médico geral disse: 'Devo me ajoelhar para pedir o seu perdão pelo que eu tenho dito sobre você'. Depois disso foi difícil controlar as chamadas médicas.
Um escritor descreveu assim o bairro de Sansfield: "Contém pelo menos uns 5.000 homens, mulheres e crianças que vivem na maior parte na sordidez e na aglomeração". Ou como alguém disse, era um lugar para "os jogadores, as prostitutas e os publicanos".
Lloyd-Jones não era um ministro recém saído de uma universidade teológica liberal, que acomodasse a sua mensagem à opinião contemporânea e às manias da sua congregação. As palavras do seu primeiro sermão inspiradas a partir de 2ª Timóteo 1:7 ilustram quais eram as suas convicções: "As nossas ... igrejas estão lotadas com pessoas, as quais na grande maioria tomam a Ceia de Senhor sem duvidar um momento, mas... você por um instante pode imaginar que todas essas pessoas crêem que Cristo morreu por elas? Bem, então, você dirá: por que são membros da igreja; por que eles fingem crer? A resposta é que eles têm medo de serem honestos consigo mesmos... Eu me sentirei muito mais envergonhado por toda a eternidade pelas ocasiões nas que disse que eu cria em Cristo quando na realidade não era assim...".
Isso foi muito para alguns, que abandonaram a congregação. Mas em lugar disso -lentamente no princípio- foi crescendo o número dos que eram cativados pela verdade, a classe operária de Gales do Sul. A mensagem os trouxe, e o poder do Espírito Santo os converteu. Não havia súplicas dramáticas, só um ministro jovem com a mensagem clara da justiça de Deus e o seu amor, que conduziam para um tema duro atrás de outro ao arrependimento e à conversão.
A igreja cresceu com a constante corrente de conversões. Notórios bêbados se fizeram cristãos gloriosos, e operários e mulheres vieram para as classes de Bíblia que ele e a sua esposa dirigiam.
Para aqueles que estão habituados a pregação bíblica pode ser difícil entender a comoção que causava este jovem pregador. Primeiro, ele não estava treinado teológicamente (pelo menos não das formas reconhecidas). Em lugar de pregar de uma cartilha ou alguma outra forma pré-elaborada, Lloyd-Jones era acima de tudo um pregador da Bíblia. Desde o começo, ele procurou dar uma compreensão verso por verso da Palavra de Deus. Talvez isto refletisse a sua própria vida pessoal que incluía ler a Bíblia completa cada ano. Basta ler as suas mensagens sobre Romanos ou sobre Efésios para entender quão profundo era o seu afeto pela Palavra e a sua obediência a ela própria.
Tampouco há dúvida de que a sua leitura dos Puritanos teve também uma profunda influência sobre ele. Os Puritanos freqüentemente foram caricaturados, mas Lloyd-Jones os leu realmente. Leu todo o Diretório Cristão de Richard Baxter e os vários volumes de John Owen. Do seu ponto de vista, os Puritanos diferiam de outras correntes organizadas em vários pontos importantes.
Primeiro, acentuavam a natureza espiritual do culto por sobre as formas e rituais externos. Segundo, enfatizavam o corpo reunido de Cristo por sobre o indivíduo, fazendo assim a disciplina da igreja necessária e saudável para a causa de Cristo. Finalmente, cria na aplicação direta da Palavra para a alma de cada pessoa. O espírito do Puritanismo, cria Lloyd-Jones, podia ser delineado de William Tyndale a John Owen e a Charles Spurgeon. Era este espírito da centralidade da Palavra de Deus o que conduzia o novo pregador no país de Gales.
À medida que as suas pregações eram conhecidas, a presença de Lloyd-Jones era mais e mais solicitada. Muitos outros pregadores começaram a encontrar nele um modelo do que devia ser o ministério do púlpito. Foi pregar no Canadá e América e freqüentemente era convidado para falar perante várias assembléias na Grã-Bretanha.
Foi na noite fria e nebulosa de 28 de novembro de 1935 que Lloyd-Jones pregou para uma assembléia em Albert Hall, em Londres. Durante a sua mensagem, 'o Doutor' explicou os problemas bíblicos que ele via em muitas das mais usadas formas de evangelização e crescimento da igreja. Disse: "Podem muitos dos métodos de evangelismo que se introduziram faz uns quarenta ou cinqüenta anos realmente justificar-se pela Palavra de Deus? Quando leio sobre a obra dos grandes evangelistas na Bíblia, vejo que eles não estavam primeiro preocupados com os resultados; eles se ocupavam em proclamar a palavra da verdade. Eles deixaram o crescimento para Ele. Eles estavam interessados, sobretudo em que as pessoas fossem postas face a face com a própria verdade".
Chegada a Westminster
Um dos ouvintes naquela noite era um ancião de 72 anos, G. Campbell Morgan, pastor da Capela de Westminster, possivelmente o pregador com mais renome na época. Dizem que o ancião pastor disse a Lloyd-Jones: 'Ninguém a não ser você poderia ter me tirado em semelhante noite!'. Depois de ouvir a Lloyd-Jones, Campbell Morgan quis tê-lo como seu colega e sucessor em 1938. Mas não era tão fácil, porque ele conduzia outras opções tão atrativas como aquela. No final, prevaleceu o chamado da Capela de Westminster, e a família Lloyd-Jones com as suas filhas, Elizabeth e Ana estabeleceram-se definitivamente em Londres em abril de 1939.
A associação de Morgan e Lloyd-Jones foi um digno exemplo de como os cristãos podem trabalhar juntos, mesmo que difiram em aspectos secundários. G. Campbell Morgan era um arminiano, e a sua exposição da Bíblia, ainda que famosa, não se ocupou das grandes doutrinas da Reforma. Martyn Lloyd-Jones, ao contrário, estava na mesma tradição de Spurgeon, Whitefield, os Puritanos e os Reformadores. Mas ambos os homens respeitaram cada um as posições e talentos do outro, e a sua associação, até que Campbell Morgan morreu, foi pacífica e promoveu muito a obra de Cristo em Londres.
Quando as nuvens de tormenta da Segunda guerra mundial já ameaçavam, Lloyd-Jones assumiu o pastorado pleno da Capela de Westminster.
Durante os anos de guerra, os habitantes de Londres suportaram por meses as intermináveis incursões noturnas dos bombardeiros alemães. Por causa da Capela de Westminster estar situada muito próxima ao Palácio de Buckingham e outros edifícios importantes do governo, permanecia em perigo constante de ser destruída. A congregação esteve em um estado constante de crise financeira e emocional. No entanto, os trabalhos seguiram quase com normalidade. Em 1944, uma bomba voadora explodiu na Capela dos Guardas, a uns poucos metros dali, cobrindo o pregador e a congregação de um pó branco. Um membro da congregação abriu os seus olhos depois do estampido, viu todos cobertos de branco e creu que devia estar no céu!
Westminster também estava aproximando-se rapidamente da sua própria crise interior. Alguns da "velha guarda" não queriam muito ao jovem calvinista que tinha compartilhado o púlpito com o seu venerado Dr. Morgan. É um testemunho do poder da Palavra de Deus e do espírito humilde de Lloyd-Jones que a igreja não só sobreviveu, mas também finalmente prosperou. Depois da guerra, a congregação cresceu rapidamente. Em 1947 as galerias foram abertas e de 1948 até 1968 quando ele se retirou, havia uma média de 1.500 espectadores aos domingos pela manhã e 2.000 à noite.
No início de 1953, o estudo da Bíblia das sextas-feiras a noite começou na Capela principal. Foi ali quando Lloyd-Jones iniciou o seu monumental discurso sobre o livro de Romanos. Assim como a obra de Martin Lutero sobre Romanos e Gálatas influenciou os Puritanos posteriormente, este grande trabalho sobre Romanos influenciou a atual geração de crentes. Assim como ele começou, ele continuaria, ministrando a sua pessoa com a Palavra de Deus em lugar de sua própria personalidade.
Em seu enfoque ao trabalho de púlpito, Lloyd-Jones trabalhava firmemente através de um livro da Bíblia, tomando um versículo ou parte de um versículo de uma vez, mostrando o que ensinava, como isso se ajustava ao ensino sobre o assunto em outra parte da Bíblia, como o ensino inteiro era pertinente aos problemas do nosso próprio dia e como a posição cristã contrastava com as idéias atualmente em voga.
Ele se punha a si mesmo em um segundo plano, e tentava mostrar para a sua congregação a Palavra de Deus, permitindo que a mensagem da Bíblia falasse por si mesma. As suas pregações explicativas tinham o propósito de permitir a Deus falar tão diretamente como era possível aos seus ouvintes com o pleno peso da autoridade divina.
Outras atividades
Apesar das dificuldades da guerra, Lloyd-Jones esteve comprometido na fundação de três instituições importantes. A primeira foi a criação de uma Biblioteca Evangélica de grandes obra cristãs, que logo superou os 20.000 volumes. Desta forma, uma nova geração de crentes se aproximou dos escritos de Bunyan, Baxter, Owens e outros.
A segunda instituição que Lloyd-Jones ajudou a criar foi a Confraternidade de Westminster. O livro Os Puritanos, é uma recopilação das mensagens anuais de Lloyd-Jones para a venturosa congregação.
E o terceiro, foi o apoio à Confraternidade Inter-universitária (IVF), e que era a organizadora da Conferência Puritana realizada a cada mês de dezembro. Havia um forte sentimento pela necessidade de retornar aos fundamentos teológicos da tradição protestante, ao período de cem anos depois da Reforma, quando as suas implicações teológicas tinham funcionado. Foram lidos e discutidos documentos e Lloyd-Jones dirigiu as reuniões com habilidade e autoridade.
A casa editorial Banner of Truth e a revista Evangelical Magazine nasceram, com a ajuda e estímulo de Martyn Lloyd-Jones, que também apoiou poderosamente o trabalho da Biblioteca Evangélica. A nível pastoral, ele conduziu reuniões fraternais mensais de ministros desde o início dos anos 40, onde os pastores discutiam todos os problemas que enfrentavam dentro das igrejas e em seu entorno. Aqui a sua sempre vasta experiência, a sua profunda sabedoria e o seu sentido comum ajudaram a muitos ministros jovens com dificuldades aparentemente únicas e insolúveis.
No verão de 1947 o doutor fez outra visita aos Estados Unidos e foi recebido calorosamente. A pedido de Carl F. H. Henry, ele falou na Universidade de Wheaton. Foram publicadas as cinco mensagens que ele deu. Neles Lloyd-Jones compartilhou a sua idéia sobre o tipo de pregação que o mundo realmente necessita.
Controvérsias
Um caráter forte e uma liderança forte não podem evitar as controvérsias. Crendo, como ele fez, no poder do Espírito Santo para convencer e converter, ele se opôs profundamente à tradição com a que tinha crescido à partir de Moody, de reuniões públicas com música suave e apelações emocionais para a conversão. Também se opôs às uniões arbitrárias entre denominações apoiadas no pragmatismo em lugar da doutrina. Nada causaria mais problemas a Lloyd-Jones que a sua firme crença na necessidade de uma adesão a certas doutrinas fundamentais.
No final da Guerra, enquanto muitos se reuniam para ouvir o doutor, outros líderes religiosos estavam começando a ignorá-lo. Quando em 1946 uma publicação reuniu os nomes dos "Gigantes do Púlpito", incluindo homens como Weatherhead, o nome de Martyn Lloyd-Jones foi ignorado.
No princípio dos anos de 1950, muita coisa havia mudado no cenário espiritual da Inglaterra. Em 1952, Arturo W. Pink morreu em relativa obscuridade em uma ilha da Escócia. Nesse momento poucos teriam imaginado que os seus escritos seriam um dia publicados e lidos por crentes em todo mundo.
Em torno de 1959, Lloyd-Jones observou que havia um ressurgimento do interesse nas doutrinas da graça e os ensinos dos puritanos na igreja. No entanto, aqueles nos quais se produzia este retorno não eram da sua própria geração. O interesse real estava entre os ministros e crentes mais jovens. Esta nova geração de líderes do púlpito viu as imutáveis verdades da palavra de Deus em uma forma que a sua geração anterior não fez. Alguns acusaram a Lloyd-Jones de ignorância teológica no melhor dos casos, e no pior, de arrogância espiritual. A verdade é que ele repreendia freqüentemente os seus jovens aprendizes por transformar a discussão sobre Calvinismo e Arminianismo em um ponto de controvérsia. De fato, ele expressava publicamente a sua crença de que A. W. Pink deveria ter tido um espírito mais a longo prazo e conciliatório em seu esforço para retornar as pessoas para a verdade.
A controvérsia mais séria veio em suas relações com a Igreja da Inglaterra. Martyn Lloyd-Jones era um firme crente na unidade evangélica. Ele não cria que as barreiras sectárias deviam separar a aqueles que tinham uma verdadeira fé em comum. Mas quando o movimento ecumênico liberal fez mais e mais concessões para as correntes de opinião mundana, ele apoiou o êxodo daquelas denominações.
Uma das grandes paixões de Martyn Lloyd-Jones era o retorno à combinação da doutrina dos Calvinistas e o entusiasmo dos Metodistas. Nos anos 60, ele estava ansioso porque a ênfase na sã doutrina recentemente recuperada não se convertesse em uma árida dureza do doutrinário. Para neutralizar este perigo, ele começou a dar ênfase à importância da experiência. Ele falou muito da necessidade do conhecimento experimental do Espírito Santo, da convicção plena pelo Espírito, e da verdade que Deus trata imediatamente e diretamente com os seus filhos - freqüentemente ilustrando estas coisas com a história da igreja.
Ao contrário de grande parte do ensino que se levantaria durante a Renovação Carismática dos anos 60, Lloyd-Jones enfatizou várias características do verdadeiro avivamento. Primeiro, ele proclamou que Deus é soberano e não há, portanto, nenhuma fórmula para o avivamento. Deus se move de formas diferentes em tempos diferentes. Em segundo lugar, insistiu em que a igreja necessitava do avivamento, não para que mais pessoas entrassem na igreja, mas para que Deus fosse devolvido para o Seu lugar justo nas vidas e pensamentos das pessoas.
Tal como no problema de unidade da igreja, as suas idéias sobre o que agora se conhece como 'psicologia cristã' provaram ser profundas e proféticas. Ele não estava absolutamente impressionado com o matrimônio entre a pregação bíblica e a psicologia secular.
Há uma coleção de sermões sobre o assunto em "Depressão Espiritual: Causas e Curas", publicada pela primeira vez em 1965. A obra aponta para a suficiência de Cristo na vida do crente e conclui com estas palavras: "Eu faço o máximo que posso, mas Ele controla a provisão e o poder, Ele o infunde. Ele é o médico celestial e Ele conhece cada variação em minha condição. Ele vê a minha estrutura. Ele sente o meu pulso. Ele conhece... tudo. 'Assim é', diz Paulo, 'e, por conseguinte tudo posso através daquele que constantemente está me infundindo força'… Ele nos conhece melhor do que nós mesmos nos conhecemos, e segundo a nossa necessidade, assim será a sua provisão".
No início dos anos 60, o doutor iniciou uma série de mensagens sobre o evangelho de João. A sua intenção neles não foi uma exposição verso a verso como era habitual, mas uma busca do significado essencial da certeza e a plenitude do Espírito Santo.
No início de 1968, em seu 68° ano, Lloyd-Jones teve uma operação importante e, ainda que se recuperasse por completo, decidiu que depois de 30 anos em Westminster tinha chegado o tempo de retirar-se como ministro.
O seu ministério tinha sido muito abençoado por Deus. Tinha havido um ribeiro constante de conversões, muito notáveis e, sobretudo, para uma ampla variedade de pessoas de toda classe social tinha lhes ensinado a largura e a profundidade da doutrina cristã. Na Capela tinha soldados dos quartéis próximos da Wellington Barracks, trabalhadores dos hotéis e restaurantes do oeste, enfermeiras dos grandes hospitais, atores e atrizes de teatros do oeste-extremo, serventes civis menores e maiores de Whitehall, e desempregados crônicos provenientes da hospedaria do Exército da Salvação.
A Capela sempre estava cheia de estudantes, especialmente estrangeiros, entre os quais estava o agora Presidente Moi do Quênia. A Igreja chinesa assistia de manhã e muitos Irmãos de Plymouth pela tarde. Quando os Irmãos Exclusivos se dividiram, muitos dos que viviam em Londres vieram para a Capela de Westminster. E havia, é obvio, muitos profissionais, mestres, advogados, contadores e possivelmente alguns daqueles que tinham alguma deficiência mental.
Gente de todo tipo e condição vinha para vê-lo depois na sacristia, onde ele passaria horas pacientemente escutando e sabiamente aconselhando. Um deles escreveu: 'Eu tenho uma lembrança encantadora de ir para ele em uma necessidade pessoal profunda, ainda muito assustado por causa da sua maneira pública formidável. A sua tranqüilidade e atrativa bondade, unidas a um conselho simples e reto, ganharam o meu coração. A sua inteligência e brilhantismo como pregador lhe fazem digno de respeito e admiração; esse outro lado mais manso, que conheci em privado, faz alguém lhe amar'.
Em 1977 ele falou sobre a diferença no método de Paulo de ajudar os cristãos e aquilo que se estava popularizando com o nome de aconselhamento. A sua convicção era de que muito do que acontecia com o psicológico era realmente espiritual. Lloyd-Jones viu o púlpito como o enfoque do verdadeiro 'Cristian counselling'. Isso não significa que ele estivesse desinteressado de sua gente e dos seus problemas. Nada poderia estar mais longe daquilo. Ele ocupava muitas horas no conselho pessoal e na direção bíblica.
Atividades finais
Nos 12 anos posteriores da sua aposentadoria ele continuou com a Conferência de Westminster e dedicou muito tempo para dar conselhos a outros ministros, responder cartas e falar longamente por telefone. Livre da rígida rotina dos domingos em Westminster, ele pôde então dedicar-se aos compromissos externos que ele tinha tomado como ministro, sobretudo ocupando os finais de semana em causas pequenas e remotas que ele amava reanimar. Ele viajou novamente para a Europa e os Estados Unidos, mas recusou novos e reiterados convites para outros países.
Lloyd-Jones tinha um lar muito feliz que estava aberto a cada Natal para os membros da igreja que não tinham outro lugar para onde ir. Em sua aposentadoria ele estava acostumado a incitar os seus netos maiores com algum argumento. Eles eram como cachorrinhos jovens indo para um leão velho, atrevendo-se onde ninguém mais se atreveria, voltando para trás por um grunhido, mas tornando a saltar em seguida.
Em 1979, a enfermidade retornou, e teve que cancelar todos os seus compromissos. Ele ainda desejava pregar novamente. Ele tinha visto muitos homens seguir depois de que eles deveriam ter parado. Na primavera de 1980 pôde começar de novo, mas uma visita ao Hospital em maio revelou que a sua enfermidade exigia um tratamento mais austero que lhe impediria de pregar. Entre as exaustivas sessões no hospital, que ele enfrentou com valentia e dignidade, continuou trabalhando em seus manuscritos e dando conselho para ministros, mas no Natal ele estava muito fraco para isto. No final, no entanto, pôde passar tempo com o seu biógrafo (o seu ajudante anterior, Ian Murray).
No final de fevereiro de 1981, com grande paz e confiada esperança, ele creu que a sua obra terrestre estava completada. Disse para a sua família imediata: 'Não orem por cura, não procurem me reter de ir para a glória'.
Em 1 de março, o Dia do Senhor, ele passou para a glória da qual tão freqüentemente tinha pregado, para encontrar-se com O Salvador ao qual tinha proclamado tão fielmente.


Fonte: http://www.aguasvivas.ws/revista/51/espigando.htm